Covardia crescente contra crianças – Violência sexual um assunto complexo

Recebi este artigo da indignação do aumento de violência sexual contra crianças em Brasília. Segundo FLÁVIA MAIA – Correio Braziliense,  “as denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes não param de crescer na capital do país. Nos dois últimos meses, as histórias de abusos como a do pai que engravidou a própria filha de 12 anos em Ceilândia e a do padre que praticava atos libidinosos com os filhos de fiéis em São Sebastião chocaram o Distrito Federal. O aumento dos casos divulgados coincide com a alta média de queixas. Elas ultrapassam a marca de uma por dia. Os números sinalizam que o crime ainda velado e cercado de tabus começa a sair das quatro paredes onde normalmente é cometido. As ocorrências em 27 das 31 regiões administrativas do DF mostram que o perverso crime não depende de conta bancária e está presente em todas as classes sociais.”

Sobre a consciência de sair do privado para o publico afirma que “ O aumento das denúncias segue a tendência do resto do país. As queixas pelo Disque 100 cresceram mais de cinco vezes, saltando 160 mil atendimentos para 866 mil de 2010 para 2011. A procura por auxílio especializado demonstra que as famílias brasileiras estão começando a perceber que o problema do abuso sexual não pode ser resolvido apenas no ambiente doméstico.

“Na cultura brasileira, os assuntos de família ainda devem ser resolvidos dentro de casa. Veja pelos nossos ditados ‘não se mete a colher em briga de marido e mulher’, ‘desde pequenino se torce o penino’. Com o aumento das denúncias, percebemos que essa realidade começa a ser redesenhada”, afirma Adriana Costa de Miranda, mestre em sociologia pela Universidade de Brasília e autora do livro Conversando sobre a violência sexual com a criança.

Apesar de o crescimento das denúncias simbolizar o princípio da quebra do silêncio no ambiente doméstico, representantes da Vara da Infância, do Ministério Público e da DPCA admitem que os números não traduzem a real dimensão da violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil e no DF. “A gente sabe que o abuso sexual é subnotificado. Muitas vezes a família não denuncia porque o abusador é o provedor da casa, ou por vergonha ou por não querer que um profissional que não pertence à família resolva um problema doméstico”, explica a promotora Daniele Martins, responsável pelo Núcleo de Enfrentamento à Violência e a Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes do MPDFT.

O crime de abuso sexual é cometido em 80% dos casos por pessoas próximas às crianças, como pais, padrastos e irmãos. Ou então por gente de confiança da família, como os religiosos. De acordo com estatísticas da Vara da Infância, o padrasto e o pai são os responsáveis pelo abuso em 45% das vezes. Os abusadores sem vínculo com a família da vítima somaram apenas 4,34% dos casos. Por causa das relações de afetividade, abusos são acobertados e deixados de lado. Ou então a denúncia é retardada, levando a vítima a um sofrimento por tempo maior.

O coordenador do Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes, Vicente Faleiros, defende que o abuso é um crime que não ocorre apenas entre vítima e abusador. Existe também o contexto em que se dá esse abuso, como as relações familiares e a complacência da sociedade, que tende a não acreditar que o abuso pode acontecer dentro da própria casa. “Existe uma triangulação que dificulta que a violência chegue às autoridades competentes. A família guarda esse segredo”, explica.

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Regina Maria Faria Gomes – CRP 29086/6

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